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terça-feira, 29 de novembro de 2011

As Deficiências da Teologia Denominacionalizada

“A denominacionalização da teologia e as interpretações bíblicas particularizadas
tornam-se graves incômodos para a Apologética Cristã”.

No decorrer da História da Teologia cristã podemos reconhecer os desafios dos primeiros apologistas, não apenas no combate às ameaças de contaminações da pura doutrina, mas também na busca de preservar os Fundamentos da Verdade, estabelecidos por Cristo e interpretados pelos Apóstolos. Isso foi possível devido a alguns motivos importantes que se tornaram relevantes em cada período da história, entre esses motivos se destacou a universalidade da interpretação bíblica cujo resultado evitou que se tornasse mais grave a visão particularizada das Escrituras Sagradas.
Em seu livro História da Teologia Cristã (Editora Vida), o teólogo e historiador Roger Olson (Professor do George W. Theological Seminary da Baylon Universitary em Waco, Texas) apresenta-nos um dos grandes exemplos para esse fantástico comportamento intelectual dos cristãos do 2º e 3º séculos: O africano Tertuliano de Cartago (150-230 d.C). Convertido aos 40 anos iniciou seu chamado à defesa da fé, usando suas habilidades e conhecimentos jurídicos na exposição da Palavra em combate aos pagãos e hereges. Talvez você logo pergunte: O que de fato descreve Tertuliano como um autêntico promotor da unidade teológica, visto que o mesmo teve simpatia pelo montanismo? Eu lhe asseguro: Sua postura em resposta à heresia de Práxeas que sustentava a existência de um só Senhor, o Todo-Poderoso, levando esse próprio a morrer na cruz, resultando num decreto da crucificação do Pai. A forma como Tertuliano respondeu aos absurdos de Práxeas o tornou o “pai” das doutrinas ortodoxas da Trindade e da Pessoa de Jesus Cristo. Tertuliano se tornou o primeiro teólogo cristão a confrontar e rejeitar as heresias que feriam as verdades acerca das três Pessoas da Trindade, e ao mesmo tempo, direcionou todos os grandes pensadores e futuros teólogos a um assunto que mais tarde seria o “pilar” para a unidade teológica das igrejas cristã em todo o mundo: A identidade eclesial trinitariana.
Mas o que é a Teologia Denominacionalizada? Que contradição tem essa com a história da teologia nas pessoas de Tertuliano, Atanásio, Lutero, Calvino, Zuínglio e outros? Que deficiências e ameaças à fé possui esse novo tipo de teologia?
O que proponho aqui chamar de denominacionalização teológica é tornar visível a espúria visão interpretativa da Bíblia que faz a Teologia refém da esfera denominacional de grupos e seguimentos religiosos, cuja aplicação das Escrituras tende a causar confusões doutrinárias e constantes injeções de costumes e hábitos particulares e pessoais. É a manifestação da “eisegese” na contramão do poder exegético deixado pelos grandes teólogos. A Teologia Denominacionalizada é aquela que impõe o que aparentemente parece princípio bíblico, mas na verdade se trata de um Evangelho superficial e enganoso diante da secularização e das influências do neoteísmo. É a falsa teologia que escraviza o indivíduo, humilha, desvirtua, e tende a laicizar a Verdade, afastando pessoas de Deus.


Como surgiu essa Denominacionalização da Teologia?
São diversos os fatores que contribuíram para isso, mas os principais foram a apatia por parte de nossas Igrejas Históricas na reação em meio às turbulências “evangelicais” nos vários momentos da cristandade, e a negligência do pentecostalismo para com o ensino teológico (no passado) onde vê-se notório sua ênfase as experiências espirituais como prioridade para uma vida consagrada a Deus. Esse último, como erro, resultou no surgimento opaco do neopentecostalismo que cada vez mais se afasta da ortodoxia e do padrão bíblico doutrinário, se tornando de fato “celeiro de hereges”.
Outro fator ressaltado para a Denominacionalização da Teologia é falta de zelo no ensino teológico, que tratado de forma equivocada por grupos sem tradição acadêmica, resulta tragicamente na propagação de conceitos anti-bíblicos e extra-teológicos, simplesmente para poder manter erros denominacionais condenados por Deus, rejeitando a interpretação bíblica fiel cultivada pelos mestres cristãos primitivos. Isso sem falar no liberalismo teológico que esfriou e “matou” igrejas na Europa e em parte dos Estados Unidos, e agora no Brasil, de forma sutil, invade mentes e corações dos incautos.
O fenômeno da teologia denominacionalizada só é perceptível a partir do momento que nos engajamos na insinuante tarefa da Apologética ativa, cuja missão superior é oferecer a resposta racional da fé cristã. A Denominacionalização da Teologia e as interpretações bíblicas particularizadas tornam-se graves incômodos para a Apologética. Isso sempre que colocamos em evidência os quatro postulados da Reforma, Sola Gratia, Solo Christus, Sola Fide e Sola Scriptura – diante da poluição bíblica em massa que nos rodeia. Conseguimos então entender que Deus nos chamou não apenas para uma ampla apresentação e pregação da Verdade cristológica externa, mas para no âmago da esfera cristã manter viva a chama da unidade teológica, herança de reformadores como Lutero, Calvino, Zuínglio e Knox, cuja manifestação expressa exaltou verdades bíblicas que hoje revelam o sustentáculo de nossa fé.
A Teologia não pode ser denominacionalizada! Sendo assim ela destrói a mensagem da cruz, tomando a direção contrária ao IDE de Jesus, como assistimos visivelmente por parte dos milhares pregadores no meio evangélico, que insistem em ministrar aos crentes os sermões pleonásticos na “mesmice” da busca de um poder que não tem efeito missionário.
A Teologia não pode ser denominacionalizada! Pois se assim for ignorará cada vez mais a linha de mensagem que leva o crente ao crescimento e a maturidade espiritual.
A Teologia verdadeira é aquela que liberta o homem pelo Conhecimento da Palavra de Deus, mediante a aliança no sangue de Jesus uma vez derramado, possibilitando vidas à experiências verdadeiras com o Espírito Santo, capacitando-as ao entendimento da Verdade em Cristo. Littera scripta manet!

Bacharel e Mestrado em Teologia, Pós-graduado em Apologética Cristã e Lato Sensu em Heresiologia. Mestre com especializações em História das Religiões, Apologética e Escatologia, possui os títulos Honoris Causa de Doutor em Divindade pela Faculdade Luther King de Teologia e Filosofia de Franca (SP) e Fatecom. Pós-graduando em Línguas Originais (Grego e Hebraico)..


A Angelolatria na Igreja e os conceitos errados

Eu, João, sou o que ouvi e vi estas coisas. E quando as ouvi e vi, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar. Mas ele me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro Adora a Deus (Ap.22:8-9).
Existem muitas especulações quanto ao assunto dos anjos. Especulações essas desde a forma acadêmica de ensino por parte alguns, ás constantes confusões doutrinárias dentro das igrejas evangélicas. A pura verdade é que a Bíblia revela as principais questões a respeito dos anjos, mas há pouca atenção teológica para o ensino profundo.  
O Pr. Lúcio Pires (Campina Grande – PB) em excelente artigo, afirma que como em toda doutrina, há uma negligência muito grande também deste assunto nas igrejas e entre os Teólogos, que chega a ser verdadeira rejeição. Considerado pelos estudiosos contemporâneos como a mais notável e difícil das matérias. Marco da implantação de grandes seitas e heresias, do mundo atual.
Os anjos não existem desde a eternidade, eles foram criados por Deus no momento de sua criação ( Ne.9:6 - Sl.148:2; Cl.1:16 ). A bíblia não indica com precisão em que parte foram criados, mas podemos entender que isso deve Ter acontecido imediatamente após Ter criado os céus e antes de Ter criado a terra, segundo podemos ver em Jó 38:4-7, Gn.1:1; 2:1. Não podemos também definir número, mas sabemos que um "exercito" compreende grande quantidade, uma "legião" compreende um número grandioso (Dn.7:10; Mt.26:53; Hb.12:22). Deus certamente criou todos de uma só vez, pois os anjos não tem capacidade de propagar-se como o homem ( Mt.22:30 ).
A palavra portuguesa anjo possui origem no latim  angelus ,  que por sua vez deriva-se do grego angelos . No  idioma  hebraico, temos malak . Seu significado básico é "mensageiro"  (para designar  a idéia de ofício de mensageiro). O grego clássico  emprega o termo angelos para o mensageiro, o embaixador em assuntos humanos, que fala e age no lugar daquele que o enviou.
No  AT, onde o termo malak ocorre 108 vezes,  os  anjos aparecem  como seres celestiais, membros da corte de Yahweh,  que servem e louvam a Ele (Ne 9:6; Jó 1:6), são espíritos ministradores  (1Rs  19:5),  transmitem a vontade de  Deus  (Dn  8:16,17), obedecem a vontade de Deus (Sl 103:20), executam os propósitos de Deus  (Nm  22:22), e celebram os louvores de Deus  (Jó  38:7;  Sl 148:2). São inúmeros os textos do AT que comprovam a  realidade da existência dos anjos. Queremos, no entanto, destacar apenas os que  se seguem: Gn 32:1,2; Jz 6:11ss; 1Rs 19:5;  Jó  1:6; 2:1;  Sl  68:17; 91:11; 104:4; Is 6:2,3;  Nos  textos alistados  anteriormente, vemos os anjos em suas funções  principais  de  servir e louvar a Yahweh, transmitir  as  mensagens  de Deus, obedecer Sua vontade, executar a vontade de Deus, e  também como guerreiros.
            A Bíblia é a melhor literatura no mundo para se estudar acerca dos anjos. Ela é completa, verdadeira. Não existe nenhuma outra literatura que possua tantas informações acerca dos anjos como a Bíblia. Mesmo assim surge ainda um grave problema na igreja: A má interpretação bíblica acerca dos anjos.

Ideias erradas acerca dos anjos
Existem dezenas de idéias erradas acerca dos anjos e muitas destas estão invadindo a Igreja de Cristo. Mencionamos alguns desses erros.

O culto aos anjos nas igrejas
Nos últimos tempos, a música evangélica tem estado excessivamente permeada pelo tema “anjos”. Inclusive uma das músicas evangélicas de maior sucesso, exalta de forma nada ortodoxa a ação dos anjos. Entre outras coisas, a música diz que “quando os anjos passeiam a Igreja se alegra, ela pula, ela grita, ela chora e congrega, enfrenta o inferno e expulsa o mal”. De uma forma discreta, o foco do culto é retirado do Senhor Jesus Cristo (que, aliás, nem é citado) e direcionado aos anjos. Ao invés da ação fortalecedora do Espírito Santo dentro da Igreja, é a classe angélica responsável por uma ação eficaz. Em muitos cultos, os cristãos são exortados a esperar a cura do anjo, a sentir o anjo, a receber a bênção da mão do anjo. Isso são efeitos de um louvor não centralizado em Deus.
Ser teocêntrico e cristocêntrico, tanto na fé quanto na prática cristã, é vital para a sobrevivência e até para o avanço do verdadeiro cristianismo. “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co 2.2). O contrário gerou e continua gerando inúmeras seitas e segmentos pseudocristãos. Um desses grupos fala em “brincar de roda com anjos, arcanjos e querubins”, numa referência também nada ortodoxa ao relacionamento dos cristãos com os anjos na eternidade.
Não devemos apagar, esquecer e ocultar o ministério angélico. Mas colocá-lo no centro de nossa adoração é correr sérios riscos.


Crentes mandando em anjos
Os anjos sempre agiram quando os homens clamaram ao Senhor. Deus é chamado de “o Senhor dos Exércitos”. Quando um crente tenta comandar anjos, dando-lhes ordens, ele está querendo tomar o lugar do único Senhor dos Exércitos. O próprio Jesus, como estivesse na condição de homem não glorificado, iria rogar ao Pai para que este enviasse anjos (Mt 26.53). Em nenhum lugar das Escrituras, seja no Antigo ou no Novo Testamento, os homens são exortados a pedir ajuda aos anjos, mas, sim, ao Senhor, mesmo que isto resulte em intervenção angélica. Os anjos só executam as ordens de Deus (Sl 103.19-21). Leias esses versículos e observe como os anjos mandam nos homens: 
Gn.19.15-17 -  E ao amanhecer os anjos apertaram com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade. Ele, porém, demorava-se, e aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e de suas duas filhas, sendo-lhe o SENHOR misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade. E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças.
At. 12.8 - E disse-lhe o anjo: Cinge-te, e ata as tuas alparcas. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa, e segue-me.
Os anjos aqui estão mandando simplesmente por que estão obedecendo a Deus.


Confiar que basta ser um anjo para ser bom
Muitos que não conhecem a Palavra de Deus não sabem que anjo não é sinônimo de “espírito bom”. A palavra anjo designa uma classe de seres espirituais criados por Deus. Todavia, parte desse grupo foi banida do céu e passou a seguir a Satanás (Ap 12.7), logo, trata-se de anjos malignos que, embora possam passar por anjos de luz (2Co 11.14), só têm por objetivo prejudicar os homens (2Co 12.7).
Portanto, o grande incentivo que as pessoas têm recebido nestes dias atuais para se relacionarem com anjos está lançando muitos que não têm discernimento a um envolvimento com “anjos malignos”.
A Igreja do Senhor Jesus Cristo não deve se deixar envolver pelos modismos dos que estão de fora, mas deve instruí-los sobre o verdadeiro ensino bíblico a respeito dos anjos. Estejamos sempre alertas!
Conclusão:
Não vamos tirar o ministério do Espírito Santo e dá-lo aos anjos. Nem vamos idolatrar os seres que Deus criou para o serviço de suas ordens. Mas vamos entender a Bíblia de forma correta sem especulações ou enganos. Vamos confiar que no momento certo o Senhor sempre enviará os seus anjos ao nosso favor.

Fonte: Alex Belmonte
Bacharel e Mestrado em Teologia, Pós-graduado em Apologética Cristã e Lato Sensu em Heresiologia. Mestre com especializações em História das Religiões, Apologética e Escatologia, possui os títulos Honoris Causa de Doutor em Divindade pela Faculdade Luther King de Teologia e Filosofia de Franca (SP) e Fatecom. Pós-graduando em Línguas Originais (Grego e Hebraico).

A Doutrina da Trindade na História

A Doutrina da Trindade sempre enfrentou dificuldades e, portanto, não é de admirar que a igreja, em seus esforços para formulá-la, tenha sido repetidamente tentada a racionaliza-la e a dar-lhe uma construção que deixava de fazer justiça aos dados da Escritura.

Período da Pré-Reforma

Os judeus do tempo de Jesus davam muita ênfase à unidade de Deus, e esta ênfase foi trazida para dentro da igreja cristã. O resultado foi que alguns eliminaram completamente as distinções pessoais da Divindade, e que outros não fizeram plena justiça à divindade essencial da segunda e da terceira pessoas da Trindade Santa. Tertuliano foi o primeiro a empregar o termo “Trindade” e a formular a doutrina, mas a sua formulação foi deficiente, desde que envolvia uma infundada subordinação do Filho ao Pai. Orígenes foi mais longe nesta direção, ensinando explicitamente que o Filho é subordinado ao Pai quanto à essência, e que o Espírito Santo é subordinado até mesmo ao Filho. Ele desacreditou a divindade essencial destas duas pessoas do Ser Divino e forneceu um ponto de partida aos arianos, que negavam a divindade do Filho e do espírito Santo, apresentando o Filho como a primeira criatura do Pai, e o Espírito Santo como a primeira criatura do Filho. Assim, a consubstancialidade do Filho e do Espírito Santo com o Pai foi sacrificada, com o fim de preservar a unidade; e, segundo esse conceito, as três pessoas da Divindade diferem em grau de dignidade. Os arianos ainda conservaram resquícios da doutrina das três pessoas da Divindade, mas esta foi inteiramente sacrificada pelo monarquianismo, em parte no interesse da unidade de Deus e em parte para manter a divindade do Filho. O monarquianismo dinâmico via em Jesus apenas homem e no espírito Santo uma influencia divina, enquanto que o monarquianismo modalista considerava o Pai, o Filho e o Espírito Santo meramente como três modos de manifestação assumidos sucessivamente pela Divindade. Por outro lado, também houve alguns que a tal ponto perderam de vista a unidade de Deus, que acabaram no triteísmo. Alguns dos monofisistas mais recentes, como João Ascunages e João Philopono, caíram neste erro. Durante a Idade Média, o nominalista Roscelino foi acusado do mesmo erro. A igreja começou a formular a sua doutrina da Trindade no século quarto. O Concílio de Nicéia (325 A.D.) declarou que o Filho é co-essencial com o Pai, enquanto que o Concílio de Constantinopla (381 A.D.) afirmou a divindade do Espírito, embora não com a mesma precisão. Quanto à interrelação dos três, foi oficialmente declarado que o Filho é gerado pelo Pai, e que o Espírito procede do Pai e do Filho. No Oriente, a doutrina da Trindade encontrou a sua proposição mais completa na obra de João de Damasco, e no Ocidente, na grande obra de Agostinho, De Trinitate.
A primeira ainda retém um elemento de subordinação, inteiramente eliminado pela segunda.

Período da Pós-Reforma
 
Depois da Reforma não temos maior desenvolvimento da doutrina da Trindade, mas o que encontramos repetidamente são algumas das errôneas formulações antigas. Os arminianos, Episcópio, Curceleu e Limborgh reavivaram a doutrina da subordinação, outra vez, ao que parece, principalmente para defender a unidade da Trindade. Eles atribuíram ao Pai uma certa preeminência sobre as outras pessoas – em ordem, dignidade e poder. Posição um tanto parecida foi tomada por Samuel Clarke, na Inglaterra, e pelo teólogo luterano Kahnis. Outros seguiram o caminho indicado por Sabélio, ensinando uma espécie de modalismo, como, por exemplo, Emanuel Swedenborg, que sustentava que o eterno Deus-homem fez-se carne no Filho, e agia através do Espírito Santo; Hegel, que fala do Pai como Deus em Si, do Filho como Deus se objetivando, e do Espírito como Deus retornando a Si mesmo; e Schleiermacher, que considera as três pessoas simplesmente como três aspectos de Deus: o Pai é Deus como a subjacente unidade de todas as coisas, o Filho é Deus como passando a uma personalidade consciente no homem, e o Espírito Santo é Deus vivendo ma igreja. Os socinianos da época da reforma seguiam as linhas arianas, mas foram além de Ário, pois para eles Cristo era simples homem e o Espírito Santo apenas um poder ou influencia. Eles foram os precursores dos unitários e também dos teólogos modernistas, que falam de Jesus como um mestre divino e identificam o Espírito Santo com o Deus imanente. Finalmente, também houve alguns que, como consideravam ininteligível a afirmação da doutrina de uma Trindade ontológica, queriam livrar-se dela e se satisfizeram com a doutrina de uma Trindade econômica, uma Trindade como se vê revelada na obra de redenção e na experiência humana. Exemplos de defensores desta idéia são Moses Stuart, W. L. Alexander e W. A. Brown. Durante um considerável período de tempo, declinou o interesse pela doutrina da Trindade, e a discussão teológica centralizou-se mais particularmente na personalidade de Deus. Brunner e Barth chamaram de novo a atenção para a sua importância. Este último a coloca em primeiro plano, discutindo-a em conexão com a doutrina da revelação, e lhe dedica 220 páginas da sua Dogmática. Materialmente, ele deriva da Escritura a doutrina, mas formal e logicamente, acha que ela está envolvida na simples sentença, “Deus fala”. Ele é Revelador (Pai), Revelação (Filho) e Revelatura* (Espírito Santo). Ele se revela, é a Revelação e é também o conteúdo da Revelação. Deus e Sua revelação se identificam. Em Sua revelação Ele continua sendo Deus, absolutamente livre e soberano. Esta idéia de Barth não é uma espécie de sabelianismo, pois ele reconhece três pessoas na Divindade. Além disso, ele não admite nenhuma subordinação. Diz ele: “Assim, ao mesmo Deus que, em unidade incólume, é Revelador, Revelação e Revelatura, também se atribui, em Sua variedade incólume, precisamente este modo tríplice de existência”.

Teologia Sistemática - Louis Berkhof






Verdades que não exigem prova


Essas são verdades a priori da razão e verdades dos sentidos; ou seja, são verdades que não exigem prova porque são intuídas ou observadas direta­mente por uma dessas faculdades.
As verdades a priori possuem os seguintes atributos.
(1) São verdades absolutas ou necessárias no sentido de que a razão afirme que é preciso que sejam verdadeiras. Cada efeito tem uma causa adequada. O espaço deve existir. E impossível que não exista, mesmo que qualquer outra coisa exista ou não. O tempo deve existir, haja ou não eventos que se sucedam no tempo. Assim, a necessidade é um atributo dessa classe.
(2) A universalidade é um atributo de uma verdade primeira. Ou seja, as verdades dessa classe não comportam exceção. Todo efeito deve ter uma cau­sa; não pode haver efeito sem uma causa.
(3) As verdades primeiras são verdades de conhecimento necessário e universal. Ou seja, não são meramente cognoscíveis, mas conhecidas de todos os agen­tes morais por uma lei necessária de seu intelecto.
O espaço e o tempo existem e devem existir; que cada efeito possui e deve possuir uma causa, e verdades desse tipo são conhecidas universalmente e pressupostas por todos os agentes morais, quer os termos em que são decla­radas tenham sido ouvidas por eles, quer não. Esta é a característica que dis­tingue as verdades primeiras das outras, meramente manifestas, das quais logo falaremos.
(4) As verdades primeiras são, é claro, manifestas. Ou seja, são percebidas de maneira universal e direta à luz de evidências próprias.
(5) As verdades primeiras são de razão pura e, é claro, verdades de conhe­cimento certo. São conhecidas universalmente com tal certeza que é impos­sível algum agente moral negar, esquecer ou desconsiderá-las na prática. Ainda que possam ser negadas em teoria, são sempre e necessariamente reconhecidas na prática. Nenhum agente moral pode, por exemplo, em hi­pótese alguma, negar ou esquecer ou desconsiderar na prática as verdades primeiras de que o tempo e o espaço existem e devem existir; que cada efei­to deve ter uma causa.
Deve-se, portanto, lembrar sempre que as verdades primeiras são pressu­postas e conhecidas universalmente, e em todos os nossos ensinos e em todas as nossas indagações devemos tomar por certas as verdades primeiras. E ab­surdo tentar prová-las, em razão de necessariamente pressupô-las como base e condição de todo raciocínio.
A mente chega a um conhecimento dessas verdades pela observação dire­ta e necessária delas, preenchida a condição de primeiro perceber a condição lógica delas. A mente percebe ou atinge a concepção de um efeito. Com essa concepção conclui instantaneamente, quer pense quer não na conclusão, que esse efeito teve, e que cada efeito deve ter, uma causa.
A mente percebe o corpo ou tem noção dele. Essa concepção desenvolve necessariamente a verdade primeira, o espaço existe e deve existir.
A mente observa ou concebe a sucessão; e essa observação ou concepção desenvolve necessariamente a verdade primeira: o tempo existe e deve existir.
A medida que prosseguirmos vamos notar várias verdades que perten­cem a essa classe, algumas das quais, em teoria, têm sido negadas. No entan­to, em seus julgamentos práticos, todos os homens as têm aceitado e dado profundas evidências do fato de as conhecerem, tanto quanto têm conheci­mento da existência deles próprios.
Suponham, por exemplo, que a lei da causalidade não fosse, jamais, em tempo algum, objeto de ponderação e atenção distinta. Suponham que a proposição, em palavras, "todo efeito deve ter uma causa", jamais estivesse em mente ou que tal proposição devesse ser negada. Ainda assim o conheci­mento permanece ali, em forma de conhecimento absoluto, uma pressupo­sição necessária, uma afirmação a priori, e a mente possui tamanha convicção dela que é totalmente incapaz de desconsiderar, esquecer ou negá-la na prática. Todas as mentes a tem por conhecimento certo muito antes de con­seguir compreender a linguagem em que é expressa, e nenhuma declaração ou evidência, qualquer que seja, pode dar a elas convicção maior que a obti­da primeiro pela necessidade. Isso se aplica a todas as verdades dessa clas­se. Elas são sempre e necessariamente aceitas por todos os agentes morais, quer haja um pensamento distinto, quer não. E a maior parte dessa classe de verdades é aceita, sem que sejam com freqüência ou, pelo menos, em geral, objeto de ponderação ou atenção direta. A mente as pressupõe sem uma consciência distinta da pressuposição. Por exemplo, agimos a cada momen­to e julgamos, raciocinamos e acreditamos na pressuposição de que cada efeito deve ter uma causa; ainda assim não temos consciência de ponderar acerca dessa verdade nem de pressupô-la, até que algo nos chame a atenção para ela.
Verdades primeiras da razão, portanto, que fique bem destacado, são sem­pre e necessariamente aceitas, ainda que possa ser rara a ponderação acerca delas. Elas são de conhecimento universal antes de se compreenderem as pa­lavras pelas quais são expressas; e embora possam ocorrer de jamais serem expressas numa proposição formal, ainda assim a mente possui um conheci­mento certo delas tanto quanto possui da existência dela própria.
Todo raciocínio desenvolve-se na pressuposição dessas verdades. Preci­sa fazê-lo necessariamente. É absurdo tentar provar verdades primeiras para um agente moral, pois, sendo um agente moral, já deve conhecê-las de ma­neira absoluta e, caso contrário, não há meio pelo qual se consiga colocá-lo em posse delas, exceto pela apresentação da condição cronológica do de­senvolvimento delas à sua percepção e em hipótese alguma seria necessário mais alguma coisa, pois com a ocorrência dessa percepção, segue-se a pres­suposição ou o desenvolvimento, por uma lei de necessidade absoluta e universal. E até essas verdades serem de fato desenvolvidas, nenhum ser pode ser um agente moral.
Não se pode discutir com alguém que questione as primeiras verdades da razão e exija comprovação delas. Toda argumentação deve, pela natureza da mente e pelas leis do raciocínio, considerar certas e aceitas as verdades pri­meiras da razão e como condição a priori de toda dedução e demonstração lógica. Algumas delas precisam ser consideradas verdades, de maneira direta ou indireta, em cada silogismo e em cada demonstração.
Em todas as nossas investigações futuras, teremos abundantes ocasiões para aplicar e ilustrar o que se disse agora acerca das verdades primeiras da razão. Se, em algum estágio de nosso progresso, lançarmos luz sobre uma verdade dessa classe, tenha-se em mente que a natureza da verdade é a preclusão, ou, como expressariam os advogados, a interdição de toda controvérsia.
Negar a realidade dessa classe de verdades é negar a validade de nosso mais perfeito conhecimento. A única dúvida a se elucidar é: a verdade em questão pertence a essa classe? Há muitas verdades que os homens, todos os homens, com certeza conhecem, acerca dos quais raramente pensam, mas que, em teoria, são persistentes em negar.

2. A segunda classe de verdades que não exigem prova são verdades mani­festas, que possuem os atributos de necessidade e universalidade. Dessas verda­des, destaco:
(1) Elas, como as verdades primeiras, são confirmadas pela razão pura e não pelo entendimento ou pelos sentidos.
(2) São confirmadas, como as verdades primeiras, a priori; ou seja, são per­cebidas ou intuídas diretamente e não se chega a elas por evidências ou indução.
(3) São verdades de afirmação universal e necessária, quando expressas de maneira que sejam compreendidas. Por uma lei da razão, todos os homens sãos devem aceitar e confirmá-las à luz de evidências próprias, sempre que se as compreende.
Essa classe, ainda que manifesta quando apresentada à mente, não é, como as verdades primeiras, universal e necessariamente conhecida de todos os agentes morais. Os axiomas matemáticos e os princípios primeiros, as bases e princípios a priori de toda a ciência, pertencem a essa classe.
(4)  São, como as verdades primeiras, universais no sentido de não haver exceção a elas.
(5) São verdades necessárias. Ou seja, a razão afirma, não só que são verda­deiras, mas que precisam ser verdadeiras; que essas verdades não podem deixar de ser. O abstrato, o infinito pertencem a essa classe.
Para compelir outras mentes a aceitar essa classe de verdades, só precisa­mos elaborar uma declaração tão perspicaz para elas, que possam ser perce­bidas e compreendidas com clareza. Feito isso, todas as mentes sãs as confir­mam irresistivelmente, quer o coração seja, quer não honesto o bastante para admitir a convicção.

3. Uma terceira classe de verdades que não exigem prova são verdades de intuição racional, mas não possuem os atributos de universalidade e necessidade.
Nossa existência, personalidade, identidade pessoal, etc, pertencem a essa classe. Essas verdades são intuídas pela razão, são manifestas e certas, como tais, na consciência; são conhecidas da própria pessoa, sem provas, e não se pode duvidar delas. Elas são primeiro desenvolvidas pela sensação, mas não inferidas dela. Suponham uma sensação a ser percebida pelos sentidos; tudo o que se poderia inferir logicamente disso é que existe algum recipiente dessa sensação, mas que eu existo e sou o recipiente dessa sensação, não surge logicamente. A sensação primeiro desperta a mente à consciência do eu; ou seja, uma sensação de algum tipo primeiro desperta a atenção da mente para os fatos da própria existência dela e da identidade pessoal. Essas verdades são percebidas e confirmadas diretamente. A mente não diz, sinto, ou penso, logo existo, pois isso é um mero sofisma; isso é pressupor a existência do eu como o recipiente do sentimento e depois inferir a existência do eu a partir do sentimento ou sensação.

4. Uma quarta classe de verdades que não exigem prova são as sensações. Já se observou que todas as sensações dadas pela consciência são manifestas para quem as sente. Se atribuo ou não minhas sensações à verdadeira causa delas é possível discutir, mas não se pode duvidar que a sensação é real. O testemunho dos sentidos é válido quanto ao que eles contemplam ou intuem de forma direta, ou seja, quanto à realidade da sensação. O julgamento pode enganar-se, atribuindo a sensação a uma causa errada.
Mas não devo prosseguir com esse discurso; meu objetivo não é entrar em muitos detalhes em distinções metafísicas sutis, nem, de maneira alguma, es­gotar o assunto desta aula, mas só fixar a atenção nas distinções em que ve­nho insistindo com o propósito de evitar todas as discussões irrelevantes e absurdas acerca da validade das verdades primeiras e manifestas. Devo pres­supor que vocês possuem algum conhecimento de psicologia e filosofia men­tal, e deixo a seu critério um exame mais completo e extenso do assunto só insinuado nesta preleção.
O suficiente, creio, foi dito a fim de preparar a mente de vocês para a ins­trução dos grandes e fundamentais axiomas que se colocam no fundamento de todas as nossas idéias de moralidade e religião. Nossa próxima aula apre­sentará a natureza e os atributos da lei moral. Prosseguiremos à luz das afir­mações a priori da razão, ao postular sua natureza e atributos. Tendo chegado a um terreno firme quanto a esses pontos, devemos ser naturalmente condu­zidos pela razão e pela revelação a nossas conclusões últimas.

Fonte: Teologia Sistemática - Charles Finney

Verdades que exigem prova

Primeiro. Dessa classe deve-se dizer, em geral, que a ela pertencem todas as verdades não intuídas diretamente por alguma função do intelecto à luz de evidências próprias.
Toda verdade a que se deva chegar por raciocínio ou indução, toda verda­de que se alcança por outro testemunho, que não o de observação, percepção, intuição ou reconhecimento direto é uma verdade que pertence à classe que necessita de prova.
Segundo. As verdades de demonstração pertencem à classe que necessita de prova. Quando verdades de demonstração são de fato demonstradas por alguma mente, ela com certeza sabe que são verdades e sabe não ser possível que afirmações contrárias sejam verdadeiras. Para incutir outras mentes com essas verdades, precisamos conduzi-las pelo processo de demonstração. Fa­zendo isso, não podem deixar de ver a verdade demonstrada. A mente huma­na em geral não recebe uma verdade de demonstração nem descansa nela, a menos que seja demonstrada. Ela o faz com freqüência sem reconhecer o pro­cesso de demonstração. As leis do conhecimento são físicas. As leis da lógica são inerentes a todas as mentes; mas em vários estados de desenvolvimento em diferentes mentes. Se uma verdade que exige demonstração e pode ser demonstrada é simplesmente anunciada e não demonstrada, a mente sente-se insatisfeita e não descansa sem a demonstração que considera necessária. Pouco adianta, portanto, dogmatizar, quando se deve argumentar, demons­trar e explicar. Em todos os casos de verdades não manifestas ou de verdades que exigem prova, os mestres religiosos devem entender e as condições lógi­cas do conhecimento e da crença racional e adaptar-se a elas; eles atentam contra Deus quando só dogmatizam quando devem argumentar, explicar e provar, lançando sobre a soberania de Deus a responsabilidade de produzir convicção e fé. Deus convence e produz fé, não pela deposição das leis men­tais estabelecidas, mas de acordo com elas. E, portanto, absurdo e ridículo dogmatizar e asseverar, quando explicações, ilustrações e provas são possí­veis e exigidas pelas leis do intelecto. Fazer isso e depois deixar a cargo de Deus fazer as pessoas compreender e crer pode-nos ser conveniente no mo­mento, mas se não significar morte para nossos auditores, não se nos devem agradecer. Somos intimados a inquirir que classe pertence certa verdade, se é uma verdade que, pela natureza e pelas leis da mente, precisa ser ilustrada ou provada. Caso sim, não temos o direito de meramente asseverá-la, se não ti­ver sido provada. Vamos cumprir as condições necessárias de uma convicção racional e depois deixar o resultado com Deus.
A classe de verdades que não exigem prova pertencem as da revelação divina.
Todas as verdades conhecidas do homem são divinamente reveladas a ele em algum sentido, mas falo aqui de verdades reveladas ao homem pela inspiração do Espírito Santo. A Bíblia anuncia muitas verdades manifestas e muitas verda­des de demonstração. Elas podem ou poderiam ser conhecidas, pelo menos mui­tas delas, independentemente da inspiração do Espírito Santo. Mas a classe de verdades de que falo aqui baseia-se inteiramente no testemunho de Deus, sendo verdades de inspiração pura. Algumas dessas verdades estão acima da razão, no sentido de que a razão não pode, a priori, nem afirmar nem negá-las.
Quando se afirma que Deus as afirmou, a mente não precisa de outra evi­dência de sua veracidade, pois por uma lei necessária do intelecto, todos os homens afirmam a veracidade de Deus. Mas apesar dessa lei necessária da mente, os homens não conseguem apoiar-se no simples testemunho de Deus, solicitando evidências de que se deve crer em Deus. Mas tal é a natureza da mente, conforme constituída pelo Criador, que nenhum agente moral neces­sita provar que o testemunho de Deus deve ser recebido. Uma vez estabeleci­do que Deus declarou um fato ou verdade, essa é, para todos os agentes mo­rais, toda a evidência necessária. A razão, por leis próprias, afirma a perfeita veracidade de Deus, e embora a verdade anunciada possa ser tal, que a razão, a priori, não consiga nem afirmar nem negá-la; ainda assim, quando afirmada por Deus, a razão confirma irresistivelmente que o testemunho de Deus deve ser recebido.
Essas verdades exigem prova no sentido de determinar que se demonstre que foram dadas por inspiração divina. Demonstrado esse fato, as próprias verdades só precisam ser compreendidas, e a mente necessariamente afirma sua obrigação de crer nelas.
Meu presente objetivo mais particular é observar:


Fonte: Teologia Sistemática - Charles Finney

domingo, 27 de novembro de 2011

A História de João Huss

Huss em conflito com o Papa

No ano de 1411 o papa de Roma, João XXIII [depois deposto|. homem de vida dissoluta e hábitos guerreiros, proclamou uma cruzada contra Ladislau, rei de Nápoles, e ofereceu as costumadas indulgências a todos aqueles que se reunissem ao exército papal. Huss ficou justamente in­dignado por ver a cruz de Cristo degradada para fins tão anticristãos, e pregou contra a cruzada. O povo, encantado pela sua eloqüência, recusou atender aos missionários do papa, e muitos interrompiam as suas arengas com excla­mações encolerizadas. Esses representantes papais não es­tavam porém habituados a tal tratamento, e não era natu­ral que se submetessem em silêncio. Contudo, ferir o chefe do movimento era uma medida bastante perigosa e intem­pestiva, e também não era prudente, no estado de agitação em que se achava o povo; não deram qualquer passo para a sua própria defesa. Mas prenderam em segredo três dos chefes, que foram lançados na prisão por ordem do senado, e logo executados secretamente. Mas o sangue dos assassi­nados foi visto correr pelas grades da prisão, e assim a mor­te deles tornou-se pública para um levantamento geral, e o povo precipitou-se em massa contra a Câmara Municipal, tomando-a de assalto. Entrando na prisão, apoderaram-se dos corpos decapitados das vítimas e levaram-nos a um lu­gar de sepultura, dando-lhes honras de mártires. No en­tanto, Huss, prevendo as conseqüências que lhe podiam acontecer por este ato ousado e ilegal do povo, retirou-se da cidade e continuou as suas pregações em sítios onde es­tivesse mais seguro. Foi citado pelo papa para comparecer perante o tribunal do Vaticano, mas não fez caso, sendo, Por esse motivo, excomungado. Apesar disso continuou Pregando do mesmo modo, aumentando diariamente o nú­mero dos seus convertidos e adeptos. 

Huss citado para comparecer em constân­cia

No entanto, foi convocado um concilio de prelados e outros em Constância, cidade imperial nos Alpes, do lado da Alemanha, com o fim de desfazer o grande cisma que existia, e suprimir as heresias de Wycliff, e Huss foi citado a comparecer perante ele. Podíamos encher páginas contra os horrorosos segredos e as blasfêmias públicas dos membros deste concilio, mas esses pormenores seriam re­voltantes; apenas nos referiremos a eles por dizerem res­peito a João Huss, e o pérfido tratamento que deram a este homem verdadeiramente nobre.
Quando o reformador boêmio recebeu a citação para se apresentar em Constância, não hesitou em obedecer. Não tinha aparecido em Roma, por conhecer a deslealdade do papa, mas com a assembléia de Constância o caso era dife­rente. Os prelados, segundo ele pensava, eram os augustos representantes daquela igreja verdadeira a que ele perten­cia, e ele sabia que um dos fins para que o concilio fora convocado era idêntico àquele que muitas vezes estava mais no seu coração quando pregava. Ainda assim, apesar da confiança que tinha nos prelados, entendeu que um sal­vo-conduto do imperador alemão, Sigismundo, podia pro­tegê-lo, e por isso procurou alcançá-lo. Neste salvo-conduto o imperador ordenava que o deixassem viajar li­vremente, e, munido desse documento, o reformador par­tiu na sua jornada.

Prisão de Huss

Agora notemos a perfídia de Roma: Assim que o refor­mador pôs os pés em Constância foi logo agarrado e lança­do na prisão, sendo acusado de heresia. O concilio sabia perfeitamente que ele tinha um salvo-conduto, mas esta dificuldade foi logo resolvida, publicaram um decreto di­zendo que não se devia guardar palavra com hereges. O povo ficou espantado quando soube da prisão de Huss, e os seus clamores indignados chegaram da Boêmia aos ouvi­dos do imperador. Ele ainda chegara a Constância, e ao princípio parecia disposto a favor do povo em condenar a traição do concilio, chegou até a falar em abrir à força a prisão em que o reformador estava encerrado, mas quando chegou à cidade, os argumentos dos padres venceram seu bom critério, e deixou-os fazer ao prisioneiro o que que­riam.
A masmorra em que Huss tinha sido encerrado era úmida e imunda, e o alimento pouco, e não era saudável. Esperavam por este tratamento diminuir-lhe a força, e po­derem fazer dele o que quisessem. Tais esforços tiveram tão bom resultado que o reformador ficou gravemente doente.

Começo do julgamento de Huss

No começo de junho (1415) e antes de estar completa­mente restabelecido, começou o seu julgamento público, mas apesar de estar tão fraco, foi-lhe proibido ter um advo­gado, porque, diziam seus inimigos, um herege não podia ter defensor. Houve duas acusações contra ele; a primeira de crer nas doutrinas de Wycliff, a segunda, de estar "in­fectado com a lepra dos valdenses". Quando foi chamado para responder pela primeira acusação apelou para a auto­ridade das Sagradas Escrituras, mas a sua voz foi imedia­tamente abafada por um tumulto de escárnio e zombaria. Era pois impossível tentar qualquer defesa em tais cir­cunstâncias, e quando lhe apresentaram o segundo ponto, ficou silencioso. Isto mesmo condenou-o, visto que seu si­lêncio foi tomado como uma tácita confissão da sua culpa. Por fim a excitação tornou-se tão grande que foi impossível continuar o julgamento, e a assembléia retirou-se.
No segundo dia apareceu o imperador em pessoa para manter a ordem, e desta vez parece que tudo correu com muito mais sossego, apesar de os prelados não o poderem conservar até o fim. Quando, no decurso do julgamento, Huss concordou que tinha dito que Wycliff era um verda­deiro crente, e que a sua alma estava agora no Céu, e que não podia desejar maior salvação para a sua própria alma do que a que estava gozando a alma de Wycliff, os "san­tos" padres não puderam conter uma gargalhada. No terceiro dia concluiu-se o julgamento, e Huss foi de novo mandado para a prisão enquanto se lavrava a sentença. Durante todo o julgamento parece que houve um amigo que se pôs ao seu lado de uma maneira própria duma gran­de afeição; este amigo foi um cavaleiro boêmio chamado Chulm. Em todos os dias do julgamento esteve sempre com ele, e acompanhou-o durante todo o seu penoso e aborrecido cativeiro; e tudo isto com grande risco para si próprio. "Meu querido mestre", disse ele depois de passar o terceiro dia de julgamento: "eu sou um ignorante, e por­tanto incompetente para dar conselhos a um homem de tanto saber como o senhor. Contudo, se está intimamente convencido de alguns desses erros que lhe atribuíram publicamente, peço-lhe muito encarecidamente que não se envergonhe de se retratar; mas se, pelo contrário, está con­vencido da sua inocência, não quero de modo algum acon­selhá-lo a dizer seja o que for contra a sua consciência, an­tes quero exortá-lo a suportar qualquer espécie de tortura a renunciar a qualquer coisa que considere como verdade'". Huss ficou profundamente comovido pelo sincero e bondo­so conselho do seu amigo, e disse-lhe com as lágrimas nos olhos que Deus bem sabia como ele de boa vontade se re­trataria, debaixo do juramento, de qualquer exposição que tivesse feito contrária às Escrituras Sagradas. Decorreu um mês, e parece que durante esse tempo o cavaleiro este­ve sempre com ele, provando, assim, que era um fiel discí­pulo e um verdadeiro amigo.

Fim do julgamento de Huss

No dia 6 de julho de 1415 ele compareceu pela última vez perante o concilio, e ouviu então a sua sentença. A ses­são teve lugar na catedral, e Huss esteve no pórtico en­quanto se celebrava a missa, por isso que a um herege não podia ser permitida a entrada na igreja durante a cerimô­nia. O bispo de Lodi pregou o sermão e escolheu para seu tema este texto: "Para que o corpo do pecado seja desfei­to" (Rm 6.6). As suas observações foram uma furiosa expo­sição contra as heresias de Huss. Os artigos de acusação fo­ram então lidos, e a sentença pronunciada. Durante a leitura dos artigos Huss fez várias tentativas para falar, mas sempre em vão; e quando depois disso ele ofereceu uma oração a Deus a favor dos seus inimigos, pedindo-lhe que lhes perdoasse as suas injustiças, as suas palavras foram recebidas com escárnio. O mártir, forte na sua integridade, ergueu as mãos, e exclamou: "Eis aqui, bendito Salvador, como o concilio condena como erro o que Tu tens prescrito e feito, quando, dominado pelos inimigos, entregaste a tua causa a Deus teu Pai, mostrando-nos por este meio que quando estamos oprimidos podemos recorrer à justiça de Deus". O fervor da sua eloqüência tinha chamado a aten­ção dos seus inimigos, e durante as poucas observações que ainda fez, guardaram um silêncio próprio de quem não se sente à vontade. Apenas Sigismundo parecia estar tran­qüilo, mas a sua tranqüilidade durou pouco. Huss, des­viando a vista dos prelados e fixando os olhos com firmeza no imperador, disse com voz clara e vibrante: "Vim a este conflito confiando na boa fé do imperador". Um vivo rubor coloriu então as faces desse homem, e Huss não disse mais uma palavra.
Foram-lhe em seguida arrancadas as vestes sacerdo-tais, e puseram-lhe na cabeça uma mitra de papel onde se viam pintados três demônios. O cálix sacerdotal, que lhe tinha sido colocado nas mãos, foi-lhe tirado com estas pa­lavras: "Maldito Judas, que, tendo abandonado o conselho da paz, entraste no dos judeus, arrancamos-te das mãos este santo cálix onde está o sangue de Cristo". "Pelo con­trário", disse Huss numa voz forte, "confio que pela graça de Deus ainda hoje hei de beber dele no seu reino". Os bis­pos retorquiram então: "Nós entregamos a tua alma aos demônios do Inferno", ao que Huss respondeu: "E eu en­trego o meu espírito nas tuas mãos, ó Senhor Jesus Cristo; a ti entrego a alma que tu salvaste!" 

Morte de João Huss

Tendo sido assim privado de um modo tão aviltante do seu cargo sacerdotal, foi entregue ao imperador, o repre­sentante do poder secular: "Pertence-vos o alto cargo", disse-lhe o bispo de Lodi, "de destruir as heresias e cismas, e com especialidade os obstinados hereges". O imperador desempenhou "esse alto cargo" sem demora. O lugar de suplício não era longe, e Huss foi para ali conduzido ime­diatamente sob a guarda do eleitor palatino e oitocentos soldados a cavalo. Quando para ali se encaminhava, o seu rosto brilhava de alegria, e o povo que se apinhava no ca­minho estava admirado das suas piedosas orações. Chega­do ao lugar de execução não lhe foi permitido a palavra ao povo, mas a oração que fez enquanto o estavam amarrando ao poste chegou aos ouvidos de todos: "Senhor Jesus, eu sofro humildemente esta morte cruel por amor de ti, e rogo-te, Senhor, que perdoes aos meus inimigos". No últi­mo momento ainda fizeram uma tentativa para o induzir a assinar uma retratação, mas não o conseguiram: "Tudo o que escrevi e assinei foi com o fim de livrar as almas do po­der do Demônio, e livrá-las da tirania do pecado; e sinto alegria em selar com o meu sangue o que escrevi e assinei". O eleitor, que tinha feito esta última tentativa, afastou-se então do lugar, e largaram fogo à lenha. Mas os sofrimen­tos do mártir acabaram depressa, e enquanto ainda orava a Deus decaiu-lhe a cabeça sobre o peito e sufocou-lhe uma nuvem de fumaça. Assim pois João Huss, que tinha dado uma boa confissão, obteve a coroa do martírio e partiu para estar com Cristo.

Fonte: História do Cristianismo: Dos apóstolos do Senhor Jesus ao século XX
           A. Knight & W. Anglin

MARTÍRIO DE INÁCIO

Inácio, que dizem ter conhecido os apóstolos Pedro e João, e ter sido ordenado bispo de Antioquia pelo apóstolo João, foi martirizado durante essa época. O zelo com que ambi­cionava sofrer o martírio o expôs a censuras de vários his­toriadores, e com certa razão. Conta-se que na ocasião em que Trajano visitou Antioquia, ele pediu para ser admitido a presença do imperador, e depois de explicar, por bastan­te tempo, as principais doutrinas da religião cristã, e mos­trar o caráter inofensivo daqueles que a professavam, pe­diu que se fizesse justiça. Contudo o imperador recebeu o seu pedido com desprezo, e depois de censurar aquilo que Trajano se aprazia de chamar a sua superstição incurável, ordenou que
fosse levado para Roma e lançado às feras.
Enquanto atravessava a Síria, Inácio escreveu várias cartas às igrejas, exortando-as à fidelidade e paciência, e avisando-as seriamente dos erros que se ensinavam. Em uma das epístolas escreve: "Desde a Síria até Roma estou lu­tando com feras por terra e por mar, de noite e de dia sendo levado preso por dez soldados cuja ferocidade iguala a dos leopardos, e os quais, mesmo quando tratados com brandura, só mostram crueldade. Mas no meio destas iniqüidades, estou aprendendo... Coisa alguma, quer seja visível ou invisível, desperta a minha ambição, a não ser a esperança de ganhar Cristo. Se o ganhar, pouco me importarei que todas as torturas do Demônio me acometam, quer seja por meio do fogo ou da cruz, ou pelo assalto das feras ou que os meus ossos sejam separados uns dos outros e meus membros dilacerados, ou todo o meu corpo esmagado".
Quando Inácio chegou a Roma, foi conduzido à arena e, na presença da multidão que enchia o teatro, tranqüila­mente esperou a morte. Quando o guarda dos leões veio soltá-los da jaula o povo quase enlouqueceu, e batia as pal­mas e gritava com uma alegria brutal, mas o velho mártir conservou-se firme.
"Sou, disse ele, como o trigo debulhado de Cristo, que precisa de ser moído pelos dentes das feras antes de se tor­nar em pão". Não precisamos entrar nos detalhes dos pou­cos momentos que se seguiram.
O medonho espetáculo acabou-se depressa, e antes de aquela gente ter chegado a suas casas, tinha Inácio recebi­do a coroa que ambicionara, e estava já com o Senhor na Glória.

Fonte: História do Cristianismo: Dos apóstolos do Senhor Jesus ao século XX

              A. Knight & W. Anglin

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Caracteres Essencias da Pregação


A pregação deve ser conforme a Revelação

loquitur; não é então questão, para nós, de revelar o que quer que seja, nem de uma revelação que passaria por nós, através de nós.Devemos, e todas as circunstâncias, respeitar o fato de que o próprio Deus se revelou (epifania), e que Ele se revelará (parousia). Tudo o que se passa na pregação – que se situa entre a primeira e a segunda vinda – é a a ação do próprio sujeito divino. A revelação é um círculo fechado em que Deus é o sujeito, o objeto e o termo médio.
Vejamos, em primeiro lugar, o aspecto negativo desta afirmação.
Isto significa: o papel do pregador não servir de mediador. O evento da pregação é Deus 

Resultam então como conseqüências práticas:

a) A pregação não pode pretender a transmissão da verdade de Deus.
Ela não pode ter por finalidade provar Deus por uma demonstração intelectual, expondo mais ou menos longamente certas teorias. Não há outra prova de Deus que aquela que o próprio Deus traz. Nós não temos que expor a verdade de Deus sob uma forma estética usando imagens inúteis ou apresentando Jesus Cristo através de efusões sentimentais.
Quando Paulo diz aos Gálatas que ele colocou diante de seus olhos Jesus crucificado, ele não faz alusão a discursos nos quais teria usado artifícios estéticos para tocar a imaginação de seus ouvintes. Para ele, descrever Jesus Cristo é anunciar sem floreio. Nós estamos sob o mandamento: "não farás nenhuma imagem, nem semelhança". Desde que Deus deve Ele mesmo dizer Sua verdade, Sua Palavra, é proibido ao pregador imiscuir-se nessa Palavra com sua arte e sua ciência. Deste ponto de vista, a figura de Cristo na arte, o crucifixo, na Igreja, assim como a apresentação de imagens espirituais de Deus, tornam-se problemáticas.Kierkegaard) como uma "doença que leva à morte".

b) O pregador não deve procurar estabelecer a realidade de Deus.
Sua tarefa é construir o Reino de Deus. Ele deve conduzir a uma decisão.
Sua mensagem deve ser autêntica e comunicar alguma coisa viva. Ele deve por a nu a situação do homem e o colocar assim diante de Deus.
Contudo, ele ultrapassa já seus limites desde Deus é concebida que essa confrontação com Deus é concebida (Certamente, esta expressão supõe coisas que estão implícitas na pregação, mas ela concerne à ação de Deus. Que o homem não intervenha no que não é de sua alçada.
Se se pretende que o homem deve se converter, fazer compartilhar sua fé por aquele a quem ele se dirige, isso não deve ser entendido senão nesse sentido: ter consciênciado que se produz por ocasião de seu tetemunho. Crer para o pregador, é o olhar para Cristo de tal forma, que perante a assembléia não dê a entender que ele dispõe de Cristo e do Espírito, e que é ele que tem a iniciativa do que está sendo feito. Deus não é um Deus ocioso: é Ele que é o autor da obra que se realiza. Nós não podemos agir senão em obediência à nossa tarefa, e não como pessoas que se teriam dado a si mesmas seu programa e seu objetivo.
Nossa pregação não é qualitativamente diferente da dos profetas e dos apóstolos que "viram e tocaram", mas ela difere pelo fato de que se produz em um outro momento histórico. Os profetas e os apóstolos se situam no momento da revelação histórica cujo documento é a Escritura.
Nós damos testemunho da Revelação.
Mas se Deus fala servindo-se de nossa palavra, então, na realidade, se cumpre este evento: os profetas e os apóstolos estão aí, mesmo se é um simples pastor que fala. Entretanto, devemos ignorar este papel e não nos engrandecer como profetas; se Cristo se digna fazer-se presente por ocasião da nossa palavra, é precisamente porque há nela um ato do próprio Deus, não de nós. O fato de que as coisas se passam assim, tira das mãos do pregador todas as pretensões a um programa imaginado por ele. Assim, toda iniciativa autônoma tanto para um fim teórico – vir com um tema, um assunto – como para um fim prático – levar os ouvintes a uma determinada atitude – uma tal tentativa não seria outra coisa que um atentado ao que o próprio Deus deseja fazer na pregação. Se o pregador se  dá por tarefa expor uma idéia sob uma forma qualquer – mesmo se esta idéia resulta de uma exegese séria e adequada – então não é a Escritura que fala, mas fala-se sobre ela. Para ser positivo, a pregação deve ser uma explicação da Escritura. Eu não tenho que falar "sobre", mas "de", tirando da Escritura o que eu digo. Eu não tenho que dizer, mas que redizer. Para que só Deus fale, nenhum tema, nenhum objetivo tirado de minha própria natureza deve intervir. Talvez eu tivesse que me perguntar se não me deixei influenciar por alguma idéia própria ou se não tive a impressão de chegar a uma unidade que só Deus poderia criar. Como quer que seja, sigamos o movimento particular do texto, detenhamo-nos aí, e não nos coloquemos questões sobre um tema que poderia, ao que nos parece, se desprender do texto.

Fonte: A proclamação do Evangelho - Karl Barth

A Vida de Dwight L. Moody

Dwight L. Moody (1837-1899) tornou-se o maior evangelista do final do século XIX. Nascido numa fazen­da em Northfield, Massachusetts, perdeu o pai com ape­nas cinco anos de idade, o que obrigou sua mãe a criar nove filhos em meio a grande pobreza. Não é difícil entender por que Moody deixou a escola aos treze anos, em busca de melhores oportunidades. De vendedor de sapatos a negociante bem-sucedido, seus êxitos materi­ais eram inegáveis.
Após a experiência de salvação, Moody começou a usar sua influência para ajudar os pobres e desabrigados em áreas urbanas - não se esquecendo de sua origem humilde. Já bastante próspero, desistiu dos negócios, e passou a trabalhar em tempo integral para estabelecer escolas dominicais e sustentar as obras da Associação Cristã de Moços (ACM).
Depois da Guerra Civil, continuou seu trabalho com as escolas dominicais. Nessa ocasião, conhece Ira D. Sankey, ministro de música e talentoso compositor de hinos. Juntos, sentiram o chamado para combinarem seus talentos, dedicando-se em tempo integral à evangelização. Moody e Sankey navegaram para a Ingla­terra. A cruzada que promoveram terminou com gran­de êxito em Londres, onde a audiência chegou a mais de dois milhões e meio de pessoas.
Voltando aos Estados Unidos, Moody continuou promovendo poderosas campanhas evangelísticas em muitas cidades importantes. Usando histórias práticas e humorísticas, compartilhava de seu amor por Cristo de uma forma simples, mas irresistível, resultando em milhares de decisões pessoais por Cristo. Seu amor pelos perdidos também o levou a iniciar um centro de treina­mento para obreiros. Em 1886, ele começou a Socieda­de de Evangelização de Chicago, hoje conhecida como Instituto Bíblico Moody.
Depois de pregar pessoalmente a cem milhões de pessoas em quarenta anos de carreira, Moody adoeceu e morreu durante sua última cruzada, em dezembro de 1899.
A contribuição incansável de Dwight L. Moody para o Reino de Deus, e seu contínuo amor pelos perdidos fazem com que sua memória permaneça para sempre.


Fonte: Pensamentos para a Hora Tranqüila. Dwight L. Moody