Primeiro. Dessa
classe deve-se dizer, em geral, que a ela pertencem todas as verdades não
intuídas diretamente por alguma função do intelecto à luz de evidências
próprias.
Toda verdade a que se deva chegar por
raciocínio ou indução, toda verdade que se alcança por outro testemunho, que
não o de observação, percepção, intuição ou reconhecimento direto é uma verdade
que pertence à classe que necessita de prova.
Segundo. As
verdades de demonstração pertencem à classe que necessita de prova. Quando
verdades de demonstração são de fato demonstradas por alguma mente, ela com
certeza sabe que são verdades e sabe não ser possível que afirmações contrárias
sejam verdadeiras. Para incutir outras mentes com essas verdades, precisamos conduzi-las
pelo processo de demonstração. Fazendo isso, não podem deixar de ver a verdade
demonstrada. A mente humana em geral não recebe uma verdade de demonstração
nem descansa nela, a menos que seja demonstrada. Ela o faz com freqüência sem
reconhecer o processo de demonstração. As leis do conhecimento são físicas. As
leis da lógica são inerentes a todas as mentes; mas em vários estados de
desenvolvimento em diferentes mentes. Se uma verdade que exige demonstração e
pode ser demonstrada é simplesmente anunciada e não demonstrada, a mente
sente-se insatisfeita e não descansa sem a demonstração que considera
necessária. Pouco adianta, portanto, dogmatizar, quando se deve argumentar,
demonstrar e explicar. Em todos os casos de verdades não manifestas ou de
verdades que exigem prova, os mestres religiosos devem entender e as condições
lógicas do conhecimento e da crença racional e adaptar-se a elas; eles atentam
contra Deus quando só dogmatizam quando devem argumentar, explicar e provar,
lançando sobre a soberania de Deus a responsabilidade de produzir convicção e
fé. Deus convence e produz fé, não pela deposição das leis mentais
estabelecidas, mas de acordo com elas. E, portanto, absurdo e ridículo
dogmatizar e asseverar, quando explicações, ilustrações e provas são possíveis
e exigidas pelas leis do intelecto. Fazer isso e depois deixar a cargo de Deus
fazer as pessoas compreender e crer pode-nos ser conveniente no momento, mas
se não significar morte para nossos auditores, não se nos devem agradecer. Somos
intimados a inquirir que classe pertence certa verdade, se é uma verdade que,
pela natureza e pelas leis da mente, precisa ser ilustrada ou provada. Caso
sim, não temos o direito de meramente asseverá-la, se não tiver sido provada.
Vamos cumprir as condições necessárias de uma convicção racional e depois
deixar o resultado com Deus.
A classe de verdades que não exigem prova
pertencem as da revelação divina.
Todas as verdades conhecidas do homem são
divinamente reveladas a ele em algum sentido, mas falo aqui de verdades
reveladas ao homem pela inspiração do Espírito Santo. A Bíblia anuncia muitas
verdades manifestas e muitas verdades de demonstração. Elas podem ou poderiam
ser conhecidas, pelo menos muitas delas, independentemente da inspiração do Espírito
Santo. Mas a classe de verdades de que falo aqui baseia-se inteiramente no
testemunho de Deus, sendo verdades de inspiração pura. Algumas dessas verdades
estão acima da razão, no sentido de que a razão não pode, a priori, nem
afirmar nem negá-las.
Quando se afirma que Deus as afirmou, a
mente não precisa de outra evidência de sua veracidade, pois por uma lei
necessária do intelecto, todos os homens afirmam a veracidade de Deus. Mas
apesar dessa lei necessária da mente, os homens não conseguem apoiar-se no
simples testemunho de Deus, solicitando evidências de que se deve crer em Deus.
Mas tal é a natureza da mente, conforme constituída pelo Criador, que nenhum
agente moral necessita provar que o testemunho de Deus deve ser recebido. Uma
vez estabelecido que Deus declarou um fato ou verdade, essa é, para todos os
agentes morais, toda a evidência necessária. A razão, por leis próprias,
afirma a perfeita veracidade de Deus, e embora a verdade anunciada possa ser
tal, que a razão, a priori, não consiga nem afirmar nem negá-la; ainda
assim, quando afirmada por Deus, a razão confirma irresistivelmente que o
testemunho de Deus deve ser recebido.
Essas verdades exigem prova no sentido de
determinar que se demonstre que foram dadas por inspiração divina. Demonstrado
esse fato, as próprias verdades só precisam ser compreendidas, e a mente
necessariamente afirma sua obrigação de crer nelas.
Meu presente objetivo mais particular é
observar:
Fonte: Teologia Sistemática - Charles Finney
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