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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Verdades que exigem prova

Primeiro. Dessa classe deve-se dizer, em geral, que a ela pertencem todas as verdades não intuídas diretamente por alguma função do intelecto à luz de evidências próprias.
Toda verdade a que se deva chegar por raciocínio ou indução, toda verda­de que se alcança por outro testemunho, que não o de observação, percepção, intuição ou reconhecimento direto é uma verdade que pertence à classe que necessita de prova.
Segundo. As verdades de demonstração pertencem à classe que necessita de prova. Quando verdades de demonstração são de fato demonstradas por alguma mente, ela com certeza sabe que são verdades e sabe não ser possível que afirmações contrárias sejam verdadeiras. Para incutir outras mentes com essas verdades, precisamos conduzi-las pelo processo de demonstração. Fa­zendo isso, não podem deixar de ver a verdade demonstrada. A mente huma­na em geral não recebe uma verdade de demonstração nem descansa nela, a menos que seja demonstrada. Ela o faz com freqüência sem reconhecer o pro­cesso de demonstração. As leis do conhecimento são físicas. As leis da lógica são inerentes a todas as mentes; mas em vários estados de desenvolvimento em diferentes mentes. Se uma verdade que exige demonstração e pode ser demonstrada é simplesmente anunciada e não demonstrada, a mente sente-se insatisfeita e não descansa sem a demonstração que considera necessária. Pouco adianta, portanto, dogmatizar, quando se deve argumentar, demons­trar e explicar. Em todos os casos de verdades não manifestas ou de verdades que exigem prova, os mestres religiosos devem entender e as condições lógi­cas do conhecimento e da crença racional e adaptar-se a elas; eles atentam contra Deus quando só dogmatizam quando devem argumentar, explicar e provar, lançando sobre a soberania de Deus a responsabilidade de produzir convicção e fé. Deus convence e produz fé, não pela deposição das leis men­tais estabelecidas, mas de acordo com elas. E, portanto, absurdo e ridículo dogmatizar e asseverar, quando explicações, ilustrações e provas são possí­veis e exigidas pelas leis do intelecto. Fazer isso e depois deixar a cargo de Deus fazer as pessoas compreender e crer pode-nos ser conveniente no mo­mento, mas se não significar morte para nossos auditores, não se nos devem agradecer. Somos intimados a inquirir que classe pertence certa verdade, se é uma verdade que, pela natureza e pelas leis da mente, precisa ser ilustrada ou provada. Caso sim, não temos o direito de meramente asseverá-la, se não ti­ver sido provada. Vamos cumprir as condições necessárias de uma convicção racional e depois deixar o resultado com Deus.
A classe de verdades que não exigem prova pertencem as da revelação divina.
Todas as verdades conhecidas do homem são divinamente reveladas a ele em algum sentido, mas falo aqui de verdades reveladas ao homem pela inspiração do Espírito Santo. A Bíblia anuncia muitas verdades manifestas e muitas verda­des de demonstração. Elas podem ou poderiam ser conhecidas, pelo menos mui­tas delas, independentemente da inspiração do Espírito Santo. Mas a classe de verdades de que falo aqui baseia-se inteiramente no testemunho de Deus, sendo verdades de inspiração pura. Algumas dessas verdades estão acima da razão, no sentido de que a razão não pode, a priori, nem afirmar nem negá-las.
Quando se afirma que Deus as afirmou, a mente não precisa de outra evi­dência de sua veracidade, pois por uma lei necessária do intelecto, todos os homens afirmam a veracidade de Deus. Mas apesar dessa lei necessária da mente, os homens não conseguem apoiar-se no simples testemunho de Deus, solicitando evidências de que se deve crer em Deus. Mas tal é a natureza da mente, conforme constituída pelo Criador, que nenhum agente moral neces­sita provar que o testemunho de Deus deve ser recebido. Uma vez estabeleci­do que Deus declarou um fato ou verdade, essa é, para todos os agentes mo­rais, toda a evidência necessária. A razão, por leis próprias, afirma a perfeita veracidade de Deus, e embora a verdade anunciada possa ser tal, que a razão, a priori, não consiga nem afirmar nem negá-la; ainda assim, quando afirmada por Deus, a razão confirma irresistivelmente que o testemunho de Deus deve ser recebido.
Essas verdades exigem prova no sentido de determinar que se demonstre que foram dadas por inspiração divina. Demonstrado esse fato, as próprias verdades só precisam ser compreendidas, e a mente necessariamente afirma sua obrigação de crer nelas.
Meu presente objetivo mais particular é observar:


Fonte: Teologia Sistemática - Charles Finney

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